Família contesta versão da PM e diz que viatura bateu em moto de jovem em Trindade

Para os amigos e familiares, a perda de Wedreh Kaique durante uma abordagem da Polícia Militar na noite da última sexta-feira (4), na Vila Saraiva, zona urbana de Trindade, no Sertão do Araripe, interrompeu a trajetória de um jovem descrito por todos como batalhador, dedicado à família e de boa conduta.

Morador do Bairro da Cohab, o jovem trabalhava como tratador de piscinas e, segundo pessoas próximas, estava retornando para casa após um dia completo de trabalho quando o episódio aconteceu.

A família contesta a dinâmica do acidente apresentada inicialmente. Segundo a versão dos parentes, Kaique teria ficado nervoso e não atendeu à ordem de parada da viatura por duas irregularidades administrativas: ele estava conduzindo a motocicleta sem o capacete e com o cano de escape adulterado. Os familiares afirmam que, durante o acompanhamento tático, a viatura da Polícia Militar teria colidido na traseira da motocicleta do jovem, fazendo com que ele perdesse o controle, caísse e sofresse ferimentos graves que o levaram a óbito. Durante o sepultamento do jovem, marcado por forte sentimento de luto na comunidade, parentes pediram por justiça e por uma apuração rigorosa dos fatos.

Versão da Polícia Militar aponta fuga e direção perigosa

De acordo com o registro da Polícia Militar, o efetivo realizava rondas quando visualizou o condutor realizando manobras perigosas nas proximidades do trevo de acesso à cidade. A corporação informou que o jovem transitava sem capacete, em uma moto sem placa e não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Ainda segundo a PM, ao notar a presença dos policiais, o condutor teria iniciado uma fuga em alta velocidade em direção ao perímetro urbano. A polícia afirma que, durante a perseguição na Vila Saraiva, o jovem perdeu o controle do veículo sozinho e, no momento da queda, teria atropelado uma criança.

Investigações em andamento

O caso foi registrado na Delegacia de Polícia Civil local. Um Inquérito Policial (IP) foi instaurado para apurar as circunstâncias do ocorrido, a dinâmica exata da colisão ou queda, e as responsabilidades envolvidas. Para garantir a isenção dos procedimentos, as investigações também serão acompanhadas e conduzidas pela Delegacia de Araripina.